De todas as tarefas que temos cotidianamente, acho que a mais difícil é a doação. Não aquela doação de quando tu dá algo que não precisa mais pra alguém, quando passa a diante. A doação complicada é aquela de quando a gente se doa, pra algo ou alguém, por que, por mais que digamos que não, sempre esperamos o reconhecimento. Talvez agora tu, que está lendo isso, pense que é diferente, lamento informar: não é! Quando a gente se doa, quando a gente se entrega, esperamos reciprocidade, esperamos que nos traga prazer, alegrias, diversão, companheirismo e tudo mais que estamos oferecendo. Não sei se é feio isso, mas é verdade, como também é verdade que quando não há essa troca, ficamos frustrados – mesmo que em graus diferentes de frustração. Também não vou negar que alguns disfarçam melhor. Não é o meu caso.
Quando eu te dei o melhor de mim, eu também queria o teu melhor. Quando te dei meu calor, meu carinho, minhas noites em claro, meu amor, quando dividi contigo minhas inseguranças e medos, quando te falei bobagens só pra ver teu sorriso, quando quis estar contigo no domingo à tarde com a mesma intensidade que quis ficar na sexta-feira à noite, eu esperava, de todo meu coração, que o mesmo fosse feito por mim. Não foi. Tu me deixou partir, mas não sem antes me fazer chorar. E eu chorei. Como chorei. Essa lembrança ainda me traz tristeza, ainda me machuca, mas isso acontece cada vez com menos frequência e é cada vez mais leve. Vai passar, eu sei que vai. Já superei tanta perda, tanta dor, tanto lamento, e mesmo assim mantenho o sorriso no meu rosto. E se não passar, não importa, eu sei que ainda teremos outras oportunidades para que tu me mostre que estou errada e que também sou parte de ti.
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E, ao fim da leitura, as palavras são buscadas, mas para quê?!
Aquele apertinho que dá no coração é maior.
Não se pode explicar, não se pode falar, nem sequer pensar.
Só se pode sentir, apenas sentir.
silenciosamente,
Cristianne Medina
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